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Apologia da desigualdade

A idade (sempre a idade em tantos momentos) traz-me a nostalgia de valores e atitudes que demarcavam elegantemente a diferença entre sexos. A cortesia, o romantismo, o cavelheirismo e a certeza de que eramos diferentes e daí não advinha nenhum prejuízo à alma. Também sei que falo do alto de uma realidade partilhada por uma minoria de mulheres por esse mundo fora e que não senti verdadeiramente o peso da discriminação. Ou sofri por isso. Que vivo numa parte desse 'mundo' onde não me faltam oportunidades e onde falar de diferenças é um mero exercício de prazer. Mas defendo-as porque não somos mesmos iguais. Graças a Deus. E quando penso que mesmo assim talvez as particularidades se estejam a esbater penso que é por aproximação do sexo masculino e não o contrário. E neste dia recordo alguns homens que conheci. Que choram, se sensibilizam, sentem falta do romantismo e do carinho. Metrossexuais ou simplesmente carentes. E que precisam acima de tudo de amor e de compreensão. Os mesmos sentimentos reclamados durante tantos séculos pelas suas companheiras.
Talvez a felicidade esteja na androgenia. Não sei. Mas defendo na mesma as diferenças. Essas mesmas que que fazem deste percurso um trilho merecedor de ser descoberto. Que nos confundem a cada instante levando-nos muitas vezes a acreditar na instransponibilidade das barreiras. Mas que, ainda assim, enriquecem esta nossa experiência que de outro modo estaria condenada a uma especie de daltonismo monocolor. Esse sim insuportável.
Feliz Natal!
Meus lindos e minhas lindas
Que o Menino Jesus nasca um Menino Deus para todos vocês este Natal!
Sejam felizes e um óptimo 2006!
Desta vez foi mesmo demais!
Os palavrões que conheço não chegam para descrever o que sinto por conta da weblogger Brasil e destas 3 semanas em que quase não se teve acesso aos blogs.
Por isso mesmo publico em baixo os posts que fui escrevendo num novo blog que iniciei aqui. Enquanto este FlyII não tornar a ir abaixo a publicação será simultânea. Caso contrário têm ai o link da minha nova casa.
Há quase 20 anos

O pôr do sol foi este... Lindo não é?
13 de Dezembro de 2005
Dor física
O cansaço vai tomando lugar e o tempo (sobre)ocupa-se na expectativa de algum alcance. Desconhecido é certo mas ainda assim algum.
Em mais um longo encontro sinto os efeitos fisicos do cansaço da psiqué e ofereço muitas resistências. E falo, falo, falo... quase sempre das fugas felizes. E a tomada de consciência promete a 'cura' assim como o engrandecimento da tristeza. A solidão e o vazio afinal são maiores do que se revelaram até hoje.
Dorida, noite a dentro só consigo adormecer com água quente nas costas.
Grande sova esta.
12 Dezembro 2005
Sentido
Em quase uma hora procurámos sentidos, respostas, notícias... Talvez tenhamos encontrado alguma coisa mas sobretudo concordámos que há um lugar para nós. De paz, onde amar não é proibido nem necessariamente doloroso, porque afinal há muitas formas de o fazer.
Haja coragem.
11 Dezembro 2005
Evgeny Kissin et al.
M de magnifico para Kissin e o seu concerto visto e sobretudo ouvido na 1ª fila do grande auditório da Gulbenkian. M de jantar fantástico no Hard Rock Café com uma sobremesa muito além do mensurável. M de mulheres em mais uma ladie's night. M de All I want for Christmas is you ouvido com o som do carro quase no máximo (o que fez sorrir muitos lisboetas perante o estrondo) e cantado ainda mais alto. M de Maravilha!
Sabedoria
O que a gente não dá a vida tira.
Não quis prescindir da liberdade de prescindir. A vida cansou-se da espera e decidiu por mim.
Esta resistência aos fins relembra-me o comodismo humano, os medos absurdos e as absolutas perdas de tempo que gastam todos os dias da nossa existência.
Por onde começar?
Nem me lembro mais do que fiz. Tem sido assim nos últimos anos. Um atropelo de coisas. Uma vida nova que teima em entrar. Por partes então.
Fui ao teatro. Presas por um fio merece o caro bilhete que generosamente a nina pagou. Foi divertido, profundo e acompanhado pelo convite que deixámos ao empregado holandês do Hard Rock Café. A dois. A três. Uma bela refeição sem dúvida.
Um amigo, também generoso, convida-me para conhecer o pintor Moçambicano Xixorro. E num dia muito aterafado (com início no hospital, mas isso fica para um post fantástico no futuro) lá vamos até Cascais a casa do artista cuja obra invejável nos deixou com aquela certeza de previlégio que deveriamos ter em muitos momentos. Conversa amena, sorrisos, visita guiada pela casa e a escolha de uma possivel capa para o último livro desse meu amigo a partir de um dos quadros africanos. Magnifico. Almoço perto do Tejo como já vai sendo hábito entre nós.
O aniversário da manhozinha. Essa minha pérola em crescimento. Linda!
O duplo aniversário da minha nova yáyá. Com passeio de teleférico, oceanário, árvore de Natal gigante e doces à mistura.
O tão aguardado concerto de Evgeny Kissin que é já depois de amanhã! Foram só dois anos de espera para ouvir um dos maiores virtuosos do piano da actualidade.
Sem necessidade de apresentações, Harry Potter em quase três horas com um novo realizador e uma velocidade estonteante.
Last and the best as melhoras dos amigos. Os últimos tempos têm sido difíceis mas tudo parece bem encaminhado agora.
Enfim, tantas coisas!
Weblogger Brasil
Apetecia-me dizer uma imensidão de palavrões começados for f*** e acabados em -se*** por conta de não ter conseguido aceder ao Fly por mais de uma semana! Um milhão de coisas a merecerem posts e eu sem pena (ou com ela) para escrever!
Telefonema
«-Pensa que um dia tiveste um amigo, alguém que amas-te muito e que te fez feliz.
- Sim, eu sei...
- Agora pensa que esse amigo morreu. E que não há nada que se possa fazer a não ser enterrá-lo, chorá-lo e continuar a viver.»
Há pessoas assim. Com esta lucidez que me abala a estrutura e que ofusca até as minhas fraquezas.
A minha vida dava um filme
Debaixo de um temporal diluviano seguimos para uma cerimónia (pouco) ortodoxa, não entendemos mais que três ou quatro palavras que o padre disse e no fim juramos guardar segredo sobre tudo aquilo nas próximas décadas. Ainda assim saio contente pela resolução tomada e acredito que um laço dificil de quebrar se criou entre todos nós.
A meio do dia devolvem-me o meu telemóvel, que por esquecimento (quase que podia apostar que por interverção do dem****) passou a noite fora de casa a receber mensagens dificeis de explicar à minha uma mãe.
Ás vezes não sei se ria ou se chore. Mas lá que a minha vida dava um filme, juro que dava.
Dezasseis de Dezembro de 2005

Com a aproximação do Natal as memórias afloram à pele. Não tanto de Natais felizes, pois desses não há lembrança, mas dos Natais desejados. Ano após ano. Dos dias 6 de Dezembro, dias de montar a árvore de Natal. Daquele dia de S. Nicolau especial do primeiro telefonema ao nônô. «- A minha árvore está toda torta! Não é normal!». Da gargalhada franca que ele deu. E de como o desejei naquele momento. Da perspectiva de ver toda a família à volta da mesma mesa. Da certeza que isso não aconteceria nunca.
Mas todos os anos lá vou eu de novo. Embarcada nessa ilusão de que um dia será diferente. E lá ponho as músicas natalícias a tocar no gramofone para servirem de banda sonora enquanto ponho os enfeites pela casa. Para me sentir criança de novo. Apenas uma vez por ano. E para me esquecer do quanto na realidade os Natais são a segunda época mais triste do ano.
Por isso mesmo o Natal este ano mudou de data. Vai ser comemorado como o imaginei num outro dia. Com missa, ceia, presentes, bolo Rei e tudo o resto que se espera para um dia especial. Sem os que amo é verdade, mas recusando-me a ficar triste por conta disso.
Vinte e quatro horas (mais uma à noite)
Um recém amigo de aventuras além fronteiras dá notícias para combinarmos um almoço. Olho a agenda. Até perto do Natal o tédio não tem hora marcada e dormir requer marcação prévia.
Leonor (um possível nome para a minha filha)
Bem, a Leonor é linda e faz culminar um mês de nascimentos. Repleto portanto. Com muitas emoções. E na homilía de hoje o tema é o dos talentos. Por coincidência ou talvez não, também o talento da maternidade. Tudo isto comparado a um chapéu de chuva cujo 'talento' é o de nos proteger da chuva. Tal como as mães.
Empty spaces fill me up with dreams

À memória veio o nada preenchido de tantas cores para dar a ilusão de uma vida realmente vivida. Um sorriso entre o triste e o irónico. A acutilância corrosiva. Sempre presente.
No ar a música invandiu-nos com as suas luzes, pirotecnia e uma multidão bem satisfeita. Letras românticas e o amor por perto a permitirem a descompressão de um dia demasiado pleno.
O concerto dos Backstreet Boys (agora já uns belos men) foi realmente bom. A saison continua.
Como lembrar
E a amnésia foi o tema dominante. Bem... a amnésia, a entrega total, a vergonha, a dor e tantas outras barreiras. As revelações que nada mais são do que um pedido de aceitação. O assumir da culpa alheia. Os ombros que carregam um peso que não é nosso. A confirmação da minha meiguice. As frequentes fugas. A velhice e a morte. Por fim um café italinano que não foi bebido. A noite já ia demasiado longa.
Para sempre
Faz hoje um ano.